O Jardim Gonzaga

 A cidade de São Carlos fica a 230km da capital do estado de São Paulo e conta com mais de 220 mil habitantes. É sede de duas universidades públicas e também abriga grande número de empresas e indústrias multinacionais, sendo hoje importante polo tecnológico, educacional e industrial do Brasil. Em 2011, ganhou o título oficial de Capital Nacional da Tecnologia e também é chamada de Vale do Silício Brasileiro e Capital do Conhecimento. A área fronteiriça do perímetro urbano abriga, no entanto, bolsões de pobreza com altos índices de violência, desemprego, drogas e baixa escolaridade.

A ocupação da área sul da cidade de São Carlos por trabalhadores pobres já tinha marcada a segregação através da linha férrea que atravessa a cidade. Ao longo da segunda metade do século XX essa área foi palco da expansão urbana periférica que tem como produto final, limítrofe às encostas e relevos do município, os bairros do Cruzeiro do Sul, Monte Carlo, Madre Cabrini, Pacaembu e Jardim Gonzaga.

 

Diferentemente de outros loteamentos populares que surgiram em São Carlos a partir da década de 1950, destinados aos trabalhadores urbanos de baixa renda empregados na indústria local, a ocupação de terras que viria a ser reconhecida como “a favela do Gonzaga” abrigou especialmente migrantes e trabalhadores desempregados que não podiam arcar com o custo do aluguel em outras regiões da cidade. Constituído nas encostas do Jardim Pacaembu, sem infraestrutura urbana alguma, o Gonzaga não se formou historicamente como um bairro operário tradicional, mas atraiu principalmente a população mais carente do município, a qual foi ocupando com barracos e produzindo com grandes dificuldades este novo espaço urbano, que seria então reconhecido como um local em que predominava um modo de vida precário, e que representava portanto uma “vergonha para a cidade”. De forma complexa, os mecanismos sociais representados pela violência simbólica e pela vulnerabilidade política atuaram de maneira articulada desde o início da história do Gonzaga até seus dias atuais, a partir da conjugação entre a condição de pobreza de seus moradores, as representações sociais estigmatizadas e repercutidas pela opinião pública ao longo das décadas (inicialmente vinculada às precárias condições locais de vida e de higiene e mais recentemente ligada à expansão da criminalidade no bairro), e as formas populistas e clientelistas de manipulação política utilizados recorrentemente pelo Estado, imprimindo sua importância na obtenção ou não obtenção de recursos materiais e simbólicos, nas formas de sociabilidade locais instituídas no bairro, na organização política e coletiva de seus moradores e, por fim, na manutenção das desigualdades sociais. (TAFURI, D. M. A experiência educativa da gestão de um banco comunitário na periferia de São Carlos/ SP. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014.)

 

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